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quinta-feira, 31 de março de 2011


Ama-me.
Embora eu te pareça
Demasiado intensa.

E de aspereza.
E transitória
se tu me repensas.


Hilda Hilst

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

“Quando alguém me entende, fico besta.”


Vontade de não dar sentido algum às coisas, as palavras e à própria vida. Assim como é a vida na realidade ausente de sentido.


Hilda Hilst

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Eu te pareço louca?Eu te pareço pura?Eu te pareço moça?



Em que lugar da sala
Guardarás o meu verso.
Distanciado
Dos teus livros políticos?
Na primeira gaveta
Mas próxima à janela?
Tu sorris quando lês
Ou te cansa de ver
Tamanha perdição
Amorável centelha
No meu rosto maduro?
E te pareço bela
Ou apenas te pareço
Mais poeta talvez
E menos séria?
O que pensa o homem
Do poeta? Que não há verdade
na minha embriaguez
E que me preferes
Amiga mais pacífica
E menos aventura?
Que é de todo impossível
Guardar na tua sala
Vestígio passional
Da minha linguagem?
Eu te pareço louca?
Eu te pareço pura?
Eu te pareço moça?

Ou é mesmo verdade
Que nunca me soubeste!

Hilda Hilst

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Não apaguem as nossas estrelas.
Elas são tão poucas; roucas
(Alguns dizem que são loucas),
De tanto falarem
E poucos escutarem.
Não apaguem as nossas estrelas
Muitos dizem que são insanas;
Que são todas doidivanas,
Mas, igual a Bilac, eu as escuto.

Hilda Hilst


domingo, 7 de novembro de 2010

"Pára de olhar a vida
com esse jeito assombrado
o que é que andas vendo
que o pessoal não vê ?"

Hilda Hilst

sábado, 6 de novembro de 2010

sábado, 16 de outubro de 2010

"(...) Sim, é verdade, eu tenho medo das gentes, pra dizer a verdade eu me cago de medo das gentes!
O que eu tenho visto de pulhas, de máscaras atadas dia e noite sobre umas caras de pedra...
O que eu tenho visto de mesquinharia, de crueldade, de torpeza, de estupidez..."



Hilda Hilst

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

"Sinto-me livre para fracassar."

O escritor e seus múltiplos vem vos dizer adeus.
Tentou na palavra o extremo-tudo
E esboçou-se santo, prostituto e corifeu. A infância
Foi velada: obscura na teia da poesia e da loucura.
A juventude apenas uma lauda de lascívia, de frêmito
Tempo-Nada na página.
Depois, transgressor metalescente de percursos
Colou-se à compaixão, abismos e à sua própria sombra.
Poupem-no o desperdício de explicar o ato de brincar.
A dádiva de antes (a obra) excedeu-se no luxo.
O Caderno Rosa é apenas resíduo de um "Potlatch".
E hoje, repetindo Bataille:
"Sinto-me livre para fracassar."


Hilda Hilst