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sexta-feira, 29 de abril de 2011


"Quero o circo todo a que tenho direito: sedução, fantasia, tempo.
Quero um romance longo, quero intimidade.
Fazer cena de ciúme, terminar, voltar, amar, brigar de novo,
telefonar, pedir desculpas, retornar.
Amantes bem comportadas são um tédio."


Martha Medeiros

quarta-feira, 20 de abril de 2011

VAMOS À CAÇA!!



 Para alimentar a alma, é obrigatório sair de casa. Sair à caça. Perseguir....
Cace o afeto, procure quem você gosta de verdade, tire férias de rancores e mágoas, abrace forte, sorria, permita que lhe cacem também
.Cace a liberdade que anda tão rara, liberdade de pensamento, de atitudes, vá ao encontro de tudo que não tem regras, patrulha, horários. Cace o amanhã, o novo, o que ainda não foi contaminado por críticas, modismos, conceitos, vá atrás do que é surpreendente, o que se expande na sua frente, o que lhe provoca prazer de olhar, sentir, sorver. Entre numa galeria de arte. Vá assistir a um filme de um diretor que não conhece. Olhe para sua cidade com olhos de estrangeiro, como se você fosse um turista. Abra portas. E páginas.


Martha Medeiros

segunda-feira, 11 de abril de 2011


“Fica combinado assim:
Você louco por mim, eu louca até o fim.”


Martha Medeiros

domingo, 27 de março de 2011

Ando tão mexicana, por dentro quase histérica.



Tenho medo de não conseguir manter minhas idéias, meus pontos de vista, minhas escolhas. Eu tenho medo é da lucidez. Tenho medo dessa busca desenfreada pela verdade, pelas respostas.
Eu tenho medo é desta eterna vigilância interior, tenho medo do que me impede de falhar.
Talvez lembre de mim como uma mulher vivida, descolada, que lida bem com relações descartáveis, logo eu que odeio copos de plásticos, canudinhos, tudo que não dure.

Não gosto de nada que é raso, de água pela canela. Ou mergulho até encontrar o reino submerso de Atlântida, ou fico à margem, espiando de fora. Não consigo gostar mais ou menos das pessoas, e não quero essa condescendência comigo também.


Martha Medeiros


terça-feira, 22 de março de 2011

É de pirar.



Enquanto trabalho com ar de moça séria e ajuizada, minha cabeça parece uma metralhadora giratória, os pensamentos sendo disparados a esmo: digo ou não digo; fico ou não fico; tento ou não tento? Quem de mim é a sã e quem é a louca, por que ontem eu não estava a fim e hoje estou tão apaixonada, como estarei raciocinando daqui a duas horas, em linha reta ou por vias tortas? Alguém bate na porta interrompendo meus devaneios, é o zelador entregando a correspondência, eu agradeço e sorrio gentil, demonstrando minha perfeita sanidade. Que controle tenho eu sobre o que ainda não me aconteceu? E sobre o já acontecido, que segurança posso ter de que minha memória seja justa, de que minhas lembranças não tenham sido corrompidas? Quero e não quero a mesma coisa tantas vezes ao dia, alterno o sim e o não intimamente, tenho dúvidas impublicáveis, e ainda assim me visto com sobriedade, respondo meus e-mails e não cometo infrações de trânsito, sou confiável, sou uma doida. E essa constatação da demência que os dias nos impingem não seria lucidez das mais requintadas? É de pirar.”


Martha Medeiros

segunda-feira, 21 de março de 2011

Minha INSANIDADE!



 "Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota."
 
Martha Medeiros.

quinta-feira, 10 de março de 2011



"Não estou vivendo perigosamente. Troque o perigosamente por intensamente, inconsequentemente, apaixonadamente. Não há perigo. Perigoso é a gente se aprisionar no que nos ensinaram como certo e nunca mais se libertar, correndo o risco de não saber mais viver sem um manual de instruções."


Martha Medeiros

quarta-feira, 9 de março de 2011



"Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto,
e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui."


 Martha Medeiros

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Tô aí pra alguns, pros meus. No mais, tô nem aí.


“Tô aí pra alguns, pros meus. Tô aí e estou aqui. Estou atenta. Estou dentro. Estou me vendo. Estou tentando. Estou querendo. Estou a postos só para o mínimo, o máximo. Para o que importa mesmo. Para o mistério. A verdade. O caos. O céu. Essas coisas.

No mais, tô nem aí.”


Martha Medeiros

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011


“É erótico ver uma mulher que sorri, que chora, que vacila, que fica linda sendo sincera, que fica uma delícia sendo divertida, que deixa qualquer um maluco sendo inteligente. Não conheço strip-tease mais sedutor.”


 Martha Medeiros

sábado, 22 de janeiro de 2011

Quer deixar alguém perplexo? Fale a verdade.


A sinceridade destrói castelos de areia. É a realidade sem anestesia. Ela não estimula reticências, não teatraliza as relações humanas, não debocha da credulidade alheia, não falsifica impressões. A sinceridade é de vanguarda. É tão soberana que emudece a todos. É tão inesperada que impede retaliações. A sinceridade é o ponto final de qualquer discussão.
Quer deixar alguém perplexo? Fale a verdade.

As pessoas sábias são admiradas quando contam o que sabem, mas impressionam mesmo é quando serenamente confessam: não sei.
O “não sei” é comovente. Os melhores filmes, as melhores peças, os melhores livros tratam da nossa ignorância, não da nossa genialidade.
Através de que elo casais aparentemente incompatíveis mantêm-se unidos? Quem espia de fora adora especular sobre motivos maquiavélicos, mas eu apostaria no oposto da maquiavelice: num mundo tão intoxicado por falsidades, a sinceridade é que tem servido de Cupido.
Eu errei. Eu traí. Eu fiz asneira. Eu me iludi.
Eu sou assim. Extra, extra! À solta alguém que se assume, que perdoa seus próprios tropeços, que não recorre ao Photoshop na hora de expor o caráter.
Escândalo é alguém te olhar nos olhos e admitir com tranquilidade: nunca li Guimarães Rosa, nunca soube entender. Eu já disse “te amo” sem ter certeza. Não tenho confiança nas minhas decisões. Não uso filtro solar.
Dirijo depois de beber alguns cálices de vinho.
(...)
Estou sem paciência com os outros. Quero começar a viver enquanto há tempo. Não tenho talento. Tive sorte. Nunca passei a perna em ninguém. Nunca menti para me safar. Menti demais para não magoar. Nunca fui agradável. Nunca inventei um personagem.
Inventei vários personagens. Não sei direito quem sou. Não sei.
Extra, extra!


Martha Medeiros
 
 
Não consigo imaginar nada mais satisfatório do que amar, e mesmo não sabendo o que o amor significa, sei o que representa. É o que nos faz, no meio de uma multidão, destacar alguém que se torna essencial para nosso bem-estar, e o nosso para o dele. É receber uma atenção exclusiva e ofertá-la na mesma medida. Ter uma intimidade milagrosa com a alma de alguém, o corpo de alguém, e abrir-se para essa mesma pessoa de um jeito que não se conseguiria jamais abrir para si mesmo, porque só o outro é quem tem a chave desse cofre.
 
 

Martha Medeiros

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Uhuuull


"Nossa insanidade tem nome, chama-se: Vontade de Viver Até a Última Gota."


Martha Medeiros

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

“... e ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro.
Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos.
Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo."
 
 
Martha Medeiros

domingo, 9 de janeiro de 2011

Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade.

Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.

Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.


Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.
Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto."


Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."


Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou."

Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei."


Por fim, a última peça caía, deixando-a nua:

"Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui."

E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.


Martha Medeiros



p.s.: É tão bom despir a alma!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Só se o cara for feio é crime de assédio sexual!!!

Divã- Martha Medeiros




"Acho que sou promíscua, Doutor. Sou tantas mulheres numa só. Alguns homens também."


Divã -Martha Medeiros

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

"A saudade fará mais por nós dois..."


Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico muda
quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando
melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro
antes, durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de
lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar.
Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é
covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque
sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência,
pareço desinteressada, mas sumi para estar para sempre do seu
lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua
desajeitada e irrefletida permanência.



Martha Medeiros


p.s.: Porque há momentos que sumir é  a única solução que nos resta!

sábado, 25 de dezembro de 2010

Pra mim, Papai Noel, queria mais compreensão. Não dos outros, mas de mim mesma. Queria entender melhor meus medos, minhas carências, minha criancice tão dissimulada em meio a afazeres pretensamente adultos. Queria escutar a menina que ainda sou, entendê-la e satisfazê-la em suas travessuras. A menina em mim esperou eu crescer para se rebelar. Hoje ela me dá ordens: vai viver, deixa de pensar!
Papai Noel, me faz parar de pensar tanto. Se eu continuar pensando tanto, ponderando tanto, deixarei de ouvir a menina em mim e de acreditar na felicidade contida nas coisas simples, como casinhas de boneca e autinhos de plástico."


Martha Medeiros

sábado, 13 de novembro de 2010

"Um dia a gente cria juízo"

'Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.
Por isso, garçom, por favor, me traga:
um pudim inteiro um sofá pra eu ver 10 episódios do 'Law and Order',
uma caixa de trufas bem macias
e o Richard Gere, nu, embrulhado pra presente.

OK?

Não necessariamente nessa ordem.
Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago.'
 

Martha Medeiros