segunda-feira, 25 de outubro de 2010

"Já não tenho tempo para lidar com mediocridades"

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não vou mais a workshops onde se ensina como converter milhões usando uma fórmula de poucos pontos. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos. Não gosto de assembléias ordinárias em que as organizações procuram se proteger e perpetuar através de infindáveis detalhes organizacionais.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos à limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.
Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Minha resposta será curta e delicada: - Gosto, e ponto final! Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.
Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.


Ricardo Gondim


6 comentários:

  1. Nossa que lindoo o texto me identifiquei geralll... lindo como sempre... otima semana! bjos lu

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  2. adorei o texto
    eu já tb nao tenho mais tempo pra essas coisas
    qro só ser feliz

    Beijo grande
    :D

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  3. se importar com "o que" e "com quem" realmente vale a pena..esse é o segredo...o resto é conversa fiada.

    beijos cintilantes

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  4. Adorooo esse texto! Acho ele verdadeiríssimo!
    Faz-me lembrar dessa música:

    "Enquanto o tempo
    Acelera e pede pressa
    Eu me recuso faço hora
    Vou na valsa
    A vida é tão rara..."

    E que sigamos a vida ao lado de gente do bem, de gente que vale a pena. Sempre!

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  5. O texto realmente é muito legal, mas ele não pertence a Ricardo Gondim...claro que ele fez alguma alterações, mas a essência verdadeira é do mestre Rubem Alves, e chama-se "O tempo e as Jabuticabas".
    Texto esse que é um dos meus preferidos.

    Grande beijo.
    Sheila

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